As Oito Poeiras

Instruiu-nos exemplificando em “poeiras” os usos espirituais que não condizem com a intenção de Deus-Parens.

Poeiras são tão pequenas que voam em um soprar, mas se as negligenciarmos acumulam-se a ponto de ficar difícil a sua remoção.

Ocorre igualmente com os seres humanos, pois foi nos permitido o livre uso espiritual, porém, ao ser usado de maneira egoística sem corresponder à intenção divina, o espírito logo ficará escurecido e repleto de poeiras. É necessário entender o desejo de Deus-Parens caso contrário não se consegue receber as providências por completo.

Isto se manifesta em enfermidades no corpo e problemas circunstanciais.

Advertiu-nos para refletirmos sobre o uso espiritual das seguintes oito poeiras: mesquinhez, cobiça, ódio, amor-próprio, rancor, raiva, ambição e orgulho. Além destas, diz: “Detesto a mentira e a lisonja”.

Quando compreendermos a verdade dos ensinamentos, tendo os mesmos como o critério de nossas condutas, e assim reformarmos os usos espirituais, o espírito torna-se limpo e o corpo estabelece-se excelentemente. A isto é explanado que “Deus é a vassoura”.

Mesquinhez: É relutar em ceder esforço espiritual e físico; é relutar em pagar impostos ou aquilo que deve ser pago; é faltar ao dever que lhe compete ou pode cumprir em benefício do mundo, do Caminho ou dos próximos; é relutar em devolver o que tomou emprestado; é desejar levar vida cômoda deixando as duras tarefas para os outros. Todos esses usos espirituais que não estão de acordo com a razão divina, que relutam em ceder esforço espiritual e físico, são a poeira da mesquinhez.

Cobiça: É desejar dinheiro sem dedicar-se e sem trabalhar; é querer vestir roupas boas ou comer coisas não condizentes com a própria situação; é o espírito de desejar ainda mais embora já tenha o bastante. É de suma importância estabelecer o espírito de satisfação sincera, seja em que for.

Ódio: É julgar mal e detestar aqueles que aconselham para o nosso bem; é odiar, falar mal pelas costas ou ridicularizar outras pessoas sem motivo, apenas por não simpatizar ou não tolerá-las. Ainda, pessoas próximas, como marido e mulher, pais e filhos, discutirem devido a caprichos pessoais também é considerado poeira.

Amor-Próprio: É o espírito que não se importa com os outros desde que tudo esteja bem consigo mesmo. Mimar e ser conivente com os próprios filhos, deixando-os ter insatisfação por comida e vestimentas, não educar naquilo que deve ser educado, não advertir sobre as más condutas, deixando-os fazer tudo o que quiserem não é correto. Ainda, falar mal dos outros em benefício próprio também é poeira. Se tem tanto amor por si e pelos filhos, deve pensar nos outros e amar os filhos dos outros também.

Rancor: É sentir ressentimento das pessoas por acreditar que foi humilhado, foi impedido de realizar a sua aspiração ou foi alvo de más referências. Sentir rancor dos outros sem considerar a própria falta de inteligência, força ou merecimento é considerado poeira. Antes de ter rancor dos outros, é importante refletir sobre a si mesmo.

Raiva: Ocorre devido ao egoísmo, por não conseguir purificar o espírito. Sente-se raiva dizendo que alguém falou mal de si ou que alguém fez algo contra si porque se quer impor o próprio pensamento, sem ouvir o que a outra pessoa tem a dizer. É aconselhável, a partir de agora, que respeite a razão celeste e deixe de sentir raiva. A impaciência e o descontrole emocional faz perder as virtudes e podem abreviar a própria vida.

Ambição: É o espírito ávido de querer ter mais que os outros, de tomar para si o quanto for possível. É enganar no peso e na medida tapeando os outros, tomar para si o que é dos outros ou ter lucro desmedido. Tomar para si toda e qualquer coisa sem dar o devido valor é ambição profunda. Ainda, perder-se por sexo também é ambição.

Orgulho: É ser presunçoso, vangloriar-se ou gabar-se. É utilizar o poder financeiro ou a posição social para desmerecer e humilhar as outras pessoas. Ainda, é lisonjear os superiores e maltratar os subordinados, é orgulhar-se da própria inteligência, menosprezando as pessoas, é fingir saber aquilo que não sabe e ficar procurando somente a falha dos outros. Tudo isso é a poeira do orgulho.

Texto extraído de: “Yoboku Hand Book” (Editora Doyusha)